UTI - Cuidado humanizado do paciente crítico.

sexta-feira, março 05, 2010

Ruídos na UTI

Problema é responsável por vários distúrbios.

Vários estudos têm apresentado a relação entre poluição sonora e distúrbios de saúde. Nas Unidades de Terapia Intensiva esse quadro não é diferente, pois, embora o ambiente tecnológico das UTIs traga benefícios à manutenção do paciente crítico, os ruídos causados pelo maquinário e mesmo pela equipe podem ser responsáveis por causar nesses pacientes distúrbios comportamentais relacionados ao estresse, além de comprometer a qualidade do sono e outros danos.

Portanto, o controle do ruído em uma UTI tem sido um dos grandes desafios das equipes. Leia o artigo da Dra. Renata Andréa Pietro P. Viana, presidente do Departamento de Enfermagem AMIB e chefe do Serviço de Terapia Intensiva HSPE.


Clique aqui e veja a materia completa.


AMIB em: 5/2/2010

segunda-feira, março 01, 2010

Remuneração do Médico Intensivista

Reportagem do Boletim da AMIB desta semana.

"Formas de Remuneração do Médico Intensivista

O exercício da Medicina Intensiva e as formas legais de remuneração, e outras, tão ilegais quanto criativas. As primeiras Unidades de Terapia Intensiva (UTI) foram implantadas no Brasil há menos de 40 anos. Ao longo do tempo, a semente plantada pelos pioneiros evoluiu, tendo apresentado altos e baixos, notadamente por envolver procedimentos médicos complexos e ligados à atenção terciária em saúde, por isto mesmo necessitando de maior aporte de recursos para seu efetivo funcionamento. Não se concebe hoje assistência hospitalar de qualidade sem retaguarda intensiva. Nos últimos anos, tem ocorrido a abertura de várias UTIs em todo o país, no setor privado e no setor ligado ao SUS, provando a rentabilidade do empreendimento. Contudo, é flagrante o funcionamento irregular de UTIs, num verdadeiro atentado à saúde do cidadão. Farei abaixo uma breve discussão sobre as formas mais comuns de exercício e de exploração da atividade intensiva, com adaptações nem sempre satisfatórias para o médico e para o paciente.

No serviço público, onde a entrada por concurso deveria ser a regra (mas não é!), encontramos diversas deformidades, tais como má remuneração, privilégios de alguns, baixa produtividade, absenteísmo etc. Na década de 90, os funcionários públicos foram transformados em bodes expiatórios, passando por vexames inomináveis (demissões injustificadas, congelamento salarial, piora das condições de trabalho etc) e os concursos públicos deixaram de acontecer. A adoção da terceirização (em alguns casos, de maneira totalmente irresponsável) não tem sido solução para a reposição de mão de obra qualificada. Em consequência, escasseiam no país as instituições públicas de saúde que mostram estrutura enxuta e funcionalidade com eficiência.

No serviço privado (instituições particulares e outras ligadas ao SUS, filantrópicas ou não), de vinculação celetista, é frequente a má remuneração, aliada à alta rotatividade e falta de estímulos para o aperfeiçoamento. Muitas vezes, a tônica é a exploração por médicos donos de hospitais, os quais, no papel de empresários, esquecem os postulados de Hipócrates completamente, fazendo com que parcela importante dos intensivistas viva à margem da legalidade, ao aceitar receber parte dos honorários “por fora”, numa situação aberrante que retira do médico os direitos trabalhistas sobre este salário à parte, além de deixá-lo exposto a processos trabalhistas e tributários (juntamente com o patrão, claro).

O pagamento por serviços prestados, que ocorre até no serviço público, é a forma que traz mais prejuízos para o médico. Além da ausência total dos direitos trabalhistas, há sempre incertezas quanto ao recebimento da remuneração, que costuma ser baixa e ainda sofre descontos abusivos (imposto de renda na fonte e contribuição previdenciária!). Alguns “patrões” do setor privado costumam pagar os honorários médicos para pessoas indicadas pelos plantonistas, evitando assim o fornecimento de recibos no nome do médico trabalhador, os quais podem vir a ser usados como provas em processos trabalhistas. Consequentemente, numa situação que chega a ser hilária, tem médico recebendo pagamentos de honorários no nome do pai, da mãe, da namorada e até da empregada doméstica. O trabalho médico através de cooperativas tem experimentado crescimento significativo nos últimos anos. É preciso ressaltar que há cooperativas éticas e cooperativas de fachada (que servem apenas ao interesse dos patrões, muitas vezes misturando médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, burocratas etc., numa verdadeira Babel trabalhista e nivelando a todos por baixo). Através do verdadeiro trabalho cooperativo, o médico tem respaldo legal para sua atividade autônoma e consegue remuneração variável (de acordo com o que produz), porém nem sempre satisfatória. O grau de rotatividade tende a ser elevado, demonstrando a não formação de vínculos entre o cooperado e o hospital, o que favorece o absenteísmo. Ultimamente, as cooperativas têm sido alvo da fúria arrecadadora dos governos, achatando bastante o ganho dos cooperados médicos.

Finalmente, temos o serviço a cargo de empresas, que terceirizam a atividade médica nas UTIs. Por conta do despreparo dos médicos no campo da gestão de negócios, poucas são as empresas de sucesso no meio intensivo. Numa situação muito parecida com a das cooperativas, a remuneração depende da produção de serviços (nem sempre satisfatória) e os direitos trabalhistas não existem, pois os médicos não são empregados, são “patrões e sócios”. O grande impacto ocorre na mudança da condição ética dos componentes, a chamada “inversão do ônus da prova”, ou seja, como componente de pessoa jurídica, o médico é obrigado a provar que não cometeu erros, caso denunciado (ocorre o contrário no caso de atuação médica individual). Para agravar a situação, os planos de saúde, com o objetivo de diminuir gastos, e não ter que se submeter a tabelas de honorários respaldadas por nossos órgãos de classe, têm tentado obrigar os médicos a abrir empresas. No entanto, tal prática não deve ser aceita, não possui amparo legal e está sendo intensamente combatida pelos Conselhos de Medicina.

Em um país onde a criatividade assume ares de “jeitinho brasileiro” associado à “Lei de Gerson”, devem existir, com certeza, outras formas de exercício da Medicina Intensiva, bem como outras criativas (e hilárias até) formas de pagamento de honorários de médicos intensivistas. Este texto, com certeza, não esgota o assunto, sendo apenas uma tentativa de contribuição para o debate, em nosso meio, de tão grave problema!

Dr. Joel Isidoro Costa
1º Tesoureiro da Sociedade Cearense de Terapia Intensiva (SOCETI) e Membro
da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do Conselho Regional de Medicina do
Estado do Ceará."

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Biomarcadores na Sepse - usar ou não usar?

O uso de biomarcadores vem marcando presença nas discussões pertinentes à medicina intensiva e também à Sepse, tanto que foi destaque na programação do 39Th Critical Care Congress, que aconteceu no mês de janeiro, em Miami e também marcou presença no II Pós-SCCM, que foi apresentado pelo Dr. José Eduardo Castro, do Rio de Janeiro.

Com a pergunta "Devemos usar biomarcadores para guiar o cuidado à Sepse", o Dr. José Eduardo, iniciou a apresentação de sua palestra dentro do tema Infecções na UTI.

Biomarcadores são indicadores de processos biológicos normais que podem estar alterados na doença e seu uso deve estar no Prognóstico: o paciente está doente?, Diagnóstico: o que deve ser feito? e na Monitorização: a terapia está funcionando?

No diagnóstico os biomarcadores identificam um processo modificável, prediz resposta diferencial ao tratamento e são universalmente utilizados em Terapia Intensiva. Na Monitorização detectam uma resposta, permitem a titulação e aperfeiçoamento do tratamento.

Um biomarcador deve ser capaz de avaliar a resposta à terapia, possibilitar a adequação do tratamento de acordo com a resposta, assim como a otimização da terapia. No IAM, temos excelentes marcadores diagnósticos. Pelo ECG sabemos se o paciente tem infarto ou angina. Mas a grande pergunta é: e na Sepse?

Pelo conteúdo apresentado durante o SCCM e Pós-SCCM, na Sepse, o marcador mais frequentemente utilizado, o número de leucócitos, tem valor questionável. Desta forma, centenas de marcadores têm sido, então, avaliados em pacientes graves e sua importância residiria na capacidade de avaliar respostas à terapêutica. Também na Sepse, a procalcitonina tem sido a mais estudada, assim como a PCR, e já são numerosos os estudos que determinaram o valor cada vez maior da procalcitonina como método auxiliar na beira do leito.

Na Sepse, isso se torna muito mais complicado. Somente no ano de 2009, centenas de publicações contemplaram esses marcadores. E apenas em um deles (Shapiro e colaboradores), 150 biomarcadores foram avaliados. Estes autores descreveram NGAL, proteína C, IL-1ra e o escore SEPSIS, como os de maior acurácia. O de maior destaque, na atualidade, parece ser a procalcitonina, com inúmeras publicações. Outro biomarcador, o clareamento do lactato, parece ser mais importante que a ScvO2, segundo estudo recente.

Em relação à capacidade de avaliar risco de morte na Sepse, outros determinantes foram considerados, como idade e presença de comorbidades.

Na conclusão de sua palestra o Dr. José Eduardo, apresentou as seguintes considerações: Um biomarcador pode informar e refinar uma decisão terapêutica; O seu valor prognóstico é limitado ou não existe e Biomarcadores são interpretados no contexto de múltiplos dados clínicos.

Fonte: AMIB

Prova de Titulo - Categoria Especial

A Comissão de Título de Especialista tem trabalhado para acelerar todos os processos que antecedem - e necessários - para a realização da Prova de Título de Especialista 2010, que acontecerá em outubro, durante o XV Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva.

No entanto, a AMIB não poderia deixar de oferecer a oportunidade para a obtenção do título àqueles que já exercem a função há algum tempo. Pensando nesse importante time de intensivistas, elabora uma avaliação especial composta por uma prova teórica e uma oral, que analisa casos clínicos, que esse ano ocorrerá nos dias 26 e 27 de junho, em São Paulo.

As inscrições estarão abertas a partir do dia 08 de março e vão até o dia 15 de maio, por meio de formulário publicado no site da AMIB (www.amig.org.br)

Confira aqui o Edital de Convocação do Exame de Suficiência Categoria Especial para a Obtenção do Título de Especialista em Medicina Intensiva Adulto.

ANVISA - RDC nº 7, de 24 de fevereiro de 2010, publicado em 25/02/2010 no Diário Oficial da União (DOU)

Publicado ontem (25/02/2010) no Diário Oficial da União (DOU) os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva (RDC). Temos agora, depois de muita luta, um documento que será referência na nossa especialidade. Pode não ter atendido a todas as nossas reivindicações, mas um grupo permanente continuará trabalhando para melhorar o documento.

ANVISA - RDC nº 07, de 24 de fevereiro de 2010 - dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de Terapia Intensiva e dá outras providências:
- Instrução Normativa nº 04, de 24 de fevereiro de 2010 - dispõe sobre os indicadores para avaliação de Unidades de Terapia Intensiva

Considero o documento publicado um marco para a especialidade!

Parabéns a todos os que trabalharam na formulação da RDC e para que a mesma fosse publicada.

Parabéns para todos nós intensivistas!!

Forte abraço,
Flavia

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Delirium em debate

O tema Delirium tem sido muito discutido pelos profissionais que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva. Isso porque acomete quase 80% dos pacientes internados e suas sequelas são preocupantes. O Dr. José Mario Teles (BA) foi um dos palestrantes do II Simpósio Pós-SCCM que abordou o tema. Em entrevista ao BE, foi mais além e nos apresentou um resumo de alguns importante tópicos abordados no 39Th Critical Care Congress, em Miami. Disse que o Dr. Pratik Pandharipande, em sua apresentação intitulada Delirium: a proposta de "evento zero" é realística?, afirmou que a caracterização do Delirium e a uniformização da ferramenta diagnóstica são essenciais, pois recomenda-se que o tratamento farmacológico só deva ser iniciado quando as causas predisponentes reversíveis tenham sido neutralizadas.

A palestrante americano, reforçou que na patogenia estão envolvidos diversos mecanismos, ainda não completamente esclarecidos, mas que englobam inflamação e seus mediadores, ação de diversos neurotransmissores e produção de metabólitos do triptofano. Entre os fatores de risco mais importantes, destacam-se a idade avançada, distúrbios metabólicos, hipoxemia, uso de medicações sedativas e privação do sono.

O uso de sedativos, benzodiazepínicos e opiáceos, drogas amplamente utilizadas em pacientes gravemente enfermos, estão fortemente associados com o desenvolvimento de delirium. A proposta para tornar o delirium em um evento de "ocorrência zero", segundo nos informou o Dr, José Mario Teles, começa respondendo a algumas questões específicas sobre o uso de drogas sedativas e analgésicas:

a) "aonde o paciente está indo?", ou seja, qual o nível de escala de sedação alvo aplicado;
b) "onde está agora?" ou qual o nível de sedação real do paciente no momento;
c) "onde está agora em relação ao delirium?" ou qual o resultado da avaliação de delirium por meio das duas ferramentas validadas para diagnóstico desta entidade em pacientes gravemente enfermos (CAM-ICU e Intensive Care Delirium Screening Checklist); e "como chegou aqui?" ou quais as causas predisponentes reversíveis de delirium (principalmente drogas).

Resumidamente, as propostas são: tenha um plano e use protocolos de sedação e analgesia guiados por alvos específicos; utilize o conceito "menos é mais", por isso, interrompa diariamente a sedação para permitir despertar e respiração espontânea; e evite benzodiazepínicos e use sedativos alternativos. O Dr. Pratik, assim como o Dr. José Mario Teles, encerrou a sua apresentação apontando os progressos até aqui alcançados em relação ao delirium, como o aumento do reconhecimento, pelos intensivistas, desta entidade, o desenvolvimento de melhores ferramentas de monitorização do delirium à beira do leito, a identificação dos fatores de risco e dos potenciais mecanismos, a perspectiva de benefício na utilização de intervenções não farmacológicas, como a mobilização precoce e, por fim, a conscientização de que as drogas benzodiazepínicas têm um papel relevante no desenvolvimento do delirium e que evitar o uso de tais medicações, sempre que possível, é uma opção acertada. "Aqui no Brasil, precisamos investir cada vez mais em pesquisas, porque é algo que preocupa muito a comunidade da Medicina Intensiva", finaliza Dr. José Mario Teles.


Fonte: AMIB - http://www.amib.org.br/noticias.asp?cod_site=0&id_noticia=504&keyword=Delirium_em_debate