UTI - Cuidado humanizado do paciente crítico.

domingo, junho 06, 2010

O perfil do Médico a ser formado no novo projeto de gradução em Medicina

Por Mara Rufino de Andrade
Estudante do Internato do Curso de Graduação em Medicina da UFPB

Resumo

As orientações atuais em relação ao ensino de Medicina preconizam que é preciso formar um médico comprometido com a promoção da saúde e a prevenção de doenças, além dotá-lo de uma visão ética e atenta às necessidades da comunidade na qual atua. As atuais Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Medicina enfatizam que o egresso deve ter formação generalista. Entende-se, portanto, que a formação médica que serve agora não pode se limitar à informação teórica e ao treinamento clínico e não pode privilegiar a especialização precoce. Por outro lado, a explosão de informações na área médica deve priorizar o processo de "aprender a aprender", com o ensino das técnicas de busca destas informações, assim como da adequada formação para analisá-las criticamente. Formar o médico na atualidade é preparar o estudante para exercer uma atividade complexa e fundamental para a sociedade.

Palavras-chave: Educação Médica. Centros Educacionais de Áreas de Saúde. Estudante de Medicina.

Na área de formação médica, têm surgido muitos questionamentos sobre o perfil do profissional que a sociedade requer, principalmente diante da preocupação com a especialização precoce e ao ensino marcado, ao longo dos anos, por parâmetros curriculares baseados no Relatório Flexner, que se baseou no raciocínio mecanicista da doença, na especialização médica, no diagnóstico técnico-laboratorial, na linguagem objetiva da anátomopatologia (MITRE et al., 2008).

A ênfase na sólida formação em ciências básicas nos primeiros anos de curso, a organização minuciosa da assistência médica em cada especialidade, a valorização do ensino centrado no ambiente hospitalar enfocando a atenção curativa, produziram um ensino dissociado das reais necessidades do sistema de saúde vigente (Ibid).

Conforme as orientações mais atuais da Organização Mundial da Saúde, o médico a ser formado deve ser comprometido com a promoção de saúde e a prevenção dos agravos, além de ser dotado de uma visão humanista e ética e estar atento às necessidades das comunidades na qual atua. Praticamente todas as propostas de reforma curricular em Medicina incluem uma ampliação da formação dos futuros médicos nos aspectos éticos e humanísticos da profissão.

O entendimento anterior de que um médico deve ser preparado para dominar conceitos teóricos e técnicas eficazes para curar doenças e afastar a dor já não serve. Se definirmos a profissão médica como essa capacidade, a formação se esgota na aprendizagem de teorias e no domínio de técnicas de diagnóstico e de intervenção clínica e/ou cirúrgica (PESSOTTI, 1996). Essa definição do perfil do médico baseada nos princípios tecnocientíficos é considerada muito simplista.

Nessa visão, o ensino médico se deteve ao estudo dos aspectos biológicos do ser humano, que de certa forma resultou na formação de "profissionais carentes de mentes questionadoras, sem o desejo e a curiosidade de compreender os fenômenos com os quais se defrontam, incapazes de refletir sobre suas práticas e adequá-las às necessidades de suas comunidades"(MAMEDE, 2001).

Assim, foram necessárias mudanças que levassem em consideração aspectos éticos, humanísticos e a adequação à realidade do sistema de saúde. A proposta estabelecida pelas novas Diretrizes Curriculares do Ensino Médico, homologadas pelo Conselho Nacional de Educação em 2001 (BRASIL, 2001), que atualmente constituem os princípios gerais para a formação médica, sugerem a inserção precoce do aluno em cenários diversificados de ensino-aprendizagem e enfatiza o papel desempenhado pela atenção básica nesse processo.

As Diretrizes Curriculares do curso de graduação em Medicina enfatizam, no artigo 3º, que o egresso do curso de Medicina deve ter "formação generalista, humanística, crítica e reflexiva, capacitado a atuar, pautado em princípios éticos, no processo saúde-doença em seus diferentes níveis de atenção, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, na perspectiva da integralidade da assistência, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano".

Ao propor a formação de médicos competentes, éticos, comprometidos com as necessidades de saúde da população, as novas diretrizes curriculares, instigam uma interação ativa entre estudantes, professores, profissionais de saúde e usuários. Assim, novas adequações têm sido propostas com o intuito de se chegar a esse objetivo (NOGUEIRA, 2009).

Segundo Kira e Martins (1996), algumas estratégias têm sido implementadas em muitas escolas médicas no Brasil, como o treinamento em ambulatório e não apenas em enfermarias e serviços de emergência, a busca da interação com uma equipe multiprofissional e não apenas com médicos, a incorporação dos conhecimentos de epidemiologia à prática clínica, assim como o reconhecimento da importância dos aspectos psicológicos, sociais e culturais nas doenças e nos doentes.

Portanto, entende-se atualmente que a formação médica que serve, agora, não pode se limitar à boa informação teórica e ao treinamento clínico. Agora, formar o médico é preparar alguém para exercer uma atividade complexa, fundamental para a vida e para as realizações da sociedade (PESSOTTI, 1996).

Por outro lado, a explosão de informações na área médica deve levar a uma forma de ensinar que priorize o "aprender a aprender", com o ensino das técnicas informatizadas para a busca destas informações, assim como formação para analisá-las, de forma a responder perguntas clínicas específicas, se impõe no ensino médico atual. A Medicina Baseada em Evidências é, pois, um paradigma a ser progressivamente empregado para permitir um trabalho ordenado e crítico da enorme quantidade de novas informações médicas que se acumulam mês a mês.

O novo currículo do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) está atualmente no sétimo semestre e insere os estudantes na comunidade desde o primeiro período do curso. A criação de novas disciplinas para os primeiros anos da graduação, com enfoque na promoção e educação em saúde, propicia a inserção do estudante precocemente em atividades práticas relevantes para a sua futura vida profissional, permitindo-lhe conhecer e vivenciar situações variadas de vida e incentivando sua interação ativa com usuários e profissionais de saúde desde o início de sua formação.

Com a recente implantação do novo Projeto Pedagógico do Curso de Medicina (PPC) na UFPB, ao contrário de aulas estruturadas por disciplinas, passou a existir um currículo baseado em módulos de conhecimento. Entre as alterações mais significativas figura a inserção precoce dos alunos na rede básica de saúde, o que busca propiciar a compreensão precoce das circunstâncias ambientais, sócio-culturais e econômicas das quais emergem as condições de saúde e seus agravos. Esta inovação tem o objetivo de se conseguir que os alunos tenham uma visão holística, valorizando as ações de promoção e prevenção, tanto quanto as de recuperação e de reabilitação. Esse objetivo é um dos principais desafios da reforma da educação médica.

Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução n.4, CNE/CES de 7/11/2001. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em medicina. Diário Oficial da União. Brasília, 9 nov. 2001; Seção 1, p. 38. Disponível em:
http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pedf/CES04.pdf Acesso: 02 jun 2010.
MAMEDE, S.; PENAFORTE, J. (Org). Aprendizagem baseada em problemas: Anatomia de uma nova abordagem educacional. Fortaleza: Hucitec, 2001.
MITRE, S. M. et al. Metodologias ativas de ensino-aprendizagem na formação profissional em saúde: debates atuais. Ciênc. saúde coletiva 13 (suppl. 2): 2133-2144, 2008.
NOGUEIRA, M. I. As mudanças na Educação médica em perspectiva: Reflexões sobre a emergência de um novo estilo de pensamento. Rev. bras. educ. med. 32 (2): 262-270, 2009
KIRA, C. M; MARTINS, M. A. O ensino e o aprendizado das habilidades clínicas e competências médicas. Medicina Ribeirão Preto, 29: 407-413, 1996.
PESSOTTI I. A formação humanística do medico. Medicina Ribeirão Preto 29: 440-448, 1996.

sexta-feira, junho 04, 2010

Prova Especial - Lista dos habilitados

Saiu a lista de habilitados para a Prova Especial da AMIB.

Confira em: http://www.amib.org.br/pdf/HABILITADOSPROVAESPECIAL.pdf

Carreira de Estado para os médicos

Por: Taciana Giesel - FENAM

A carreira de Estado para os médicos, luta antiga da FENAM, será discutida no I Fórum sobre Carreira de Estado para Médicos, que será realizado na próxima terça-feira, dia 8 de junho. Organizado pela Comissão Pró-SUS, composta por membros das três entidades médicas nacionais (FENAM, CFM e AMB) o Fórum tem como objetivo extrair sugestões que ajudarão a delinear de forma mais clara aspectos importantes para a proposta.

Uma das esperanças da categoria é a aprovação da PEC 454/2009, de autoria dos deputados Ronaldo Caiado (DEM/GO) e Eleuses Paiva (DEM/SP), que visa estabelecer diretrizes para a organização da carreira de médico de Estado. A PEC prevê a equiparação dos salários dos médicos aos subsídios de juízes e promotores. Para o presidente da FENAM, Paulo de Argollo Mendes, a proposição é a única maneira de solucionar a carência de médicos nas cidades interioranas e de difícil acesso.

“O projeto que estabelece a carreira de estado para médicos é um dos mais importantes para a nossa categoria. Temos mostrado, tanto ao governo e aos parlamentares quanto à população, que a única maneira de termos médicos nas pequenas localidades é com a carreira de estado e ela tem de vir acompanhada de um Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV)”. Paulo Argollo, presidente da FENAM.

Nomes importantes do Judiciário, do Ministério Público, da Câmara e do Senado já confirmaram presença no I Fórum sobre Carreira de Estado para Médicos.

SERVIÇO:
Fórum das Entidades Médicas sobre Carreira de Estado
Data: 08 de junho de 2010
Horário: A partir das 8h30
Local: Auditório do Conselho Federal de Medicina – Brasília-DF
Promoção: Comissão Pró-Sus – CFM/AMB/FENAM

quinta-feira, junho 03, 2010

Delta gap

Nos pacientes com acidose metabólica e anion gap aumentado, o cálculo do delta gap pode ser útil para o diagnóstico de distúrbios mistos.

Delta gap = (Anion gap - 12) - (24 - bicarbonato). O delta gap é a diferença entre o aumento do anion gap a partir de 12 mEq/L e redução do bicarbonato a partir de 24 mEq/L.

Se a acidose metabólica com anion gap aumentado for a única alteração ácido-base, a correlação entre o aumento do anion gap e redução do bicarbonato deve ser de aproximadamente zero.

Delta gap > 6 (redução do bicarbonato é menor que a esperada) = alcalose metabólica concomitante à acidose metabólica com anion gap aumentado

Delta gap < 6 (redução do bicarbonato é superior a esperada) = acidose metabólica com anion gap normal associada à acidose metabólica com anion gap aumentado

Exemplo: Mulher jovem com diarréia, vômitos, hipotensão arterial e acidose metabólica. Sódio 144 mEq/L; Potássio 4,2 mEq/L, Cloro 95 meq/L; Bicarbonato 14 mEq/L. Anion gap = Na - (Cl + Bicarbonato) = 35 (normal: 8-16 mEq/L). Delta Gap = (35 - 12) - (24 - 12 ) = 10 mEq/L. A presença de um delta gap superior a 6 mEq/L sugere a presença de uma alcalose metabólica concomitante à acidose metabólica.

Flávio E. Nácul - Artigos Comentados


segunda-feira, maio 31, 2010

Telemedicina afasta usuários do hospital na Europa.

Os Serviços de Saúde de North East Essex, no Reino Unido, registaram um decréscimo de 44 por cento nas visitas aos hospitais desde que foi implementado um sistema de telemedicina na região.

A informação foi fornecida pelo portal Public Technology e dizem respeito aos primeiros seis meses de teste do projeto. Com base nestes valores, a organização acredita que até uma centena de pacientes com doenças crônicas, como os que sofrem de doença pulmonar obstrutiva ou insuficiência cardíaca, podem beneficiar-se de uma melhor prestação de cuidados de saúde.

Através deste sistema os pacientes podem medir diariamente em casa ou na unidade de saúde mais perto da residência aspectos como a pressão arterial, peso, temperatura ou os níveis de oxigénio, entre outros. Esta informação é depois enviada em tempo real para um especialista, que avalia se o paciente necessita de algum cuidado especial.


Enviado por: Renato M.E. Sabbatini, PhD via SBIS NEWS
Fonte: Leandra (Alum) - Tecnologia da Informação e Medicina

sexta-feira, maio 28, 2010

Prova de Título - Especial

A Prova de Título de Especialista Categoria Especial já tem local definido. Os quase 270 inscritos se reunirão nos próximos dias 26 e 27 de junho, no Hotel Pestana, na Rua Tutóia, 77, em São Paulo. No primeiro dia acontecerá a fase teórica, das 9 às 13 horas. Os candidatos devem chegar com uma hora de antecedência. No dia 27 será o dia da fase oral que começará às 8 horas, com término previsto para às 18 horas.

A prova teórica será composta por 50 questões de múltipla escolha que foram elaboradas considerando o universo de procedimentos aplicados nas Unidades de Terapia Intensiva.

Para complementar as etapas citadas haverá também a análise curricular do candidato. "Os requisitos do currículo e a pontuação atribuída devem seguir rigorosamente o sistema de pontuação estabelecido pela Comissão Nacional de Acreditação.", reforça o Dr. Ciro Mendes, presidente da Comissão de Título de Especialista da AMIB.

Para aprovação, o candidato deverá atingir a nota mínima de 6, resultado da soma das duas avaliações (prova teórica e prova oral/análise curricular). A prova teórica corresponderá a 70% da nota e os 30% restantes serão divididos entra a prova oral e a análise curricular.

Para auxiliar no preparo dos candidatos, a Comissão de Título de Especialista definiu uma bibliografia que engloba todos os principais assuntos de Medicina Intensiva. Confira: Knobel E: Condutas no Paciente Grave, 3ª Edição, São Paulo, Editora Atheneu, 2006; Irwing and Rippe´s, Intensive Care Medicine, 6th Edition, Lippincot Williams & Wilkins, 2008; e Parrillo Joseph E, Dellinger Phillip R. Critical Care Medicine. Principles of Diagnosis and Management in the Adult, 3rd edition, Mosby, 2008.

Para mais informações e inscrições, acesso o site da AMIB, na área Prova de Título. www.amib.org.br