UTI - Cuidado humanizado do paciente crítico.

domingo, abril 04, 2010

Resposta do Presidente da AMB a declaração do Presidente Lula publicada na Folha de São Paulo - 30/3/2010 referente aos médicos brasileiros.

SAÚDE PÚBLICA
Incontinência verbal


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em mais um de seus rompantes habituais de incontinência verbal, diz ter encontrado os culpados pelo caótico sistema de saúde nacional: os médicos. Segundo reportagem veiculada sexta-feira em diversos jornais brasileiros, o presidente reclamou que "os médicos não aceitam ou cobram caro para trabalhar no interior e nas periferias" e que "é muito fácil ser médico na Avenida Paulista". Lula também criticou o Conselho Federal de Medicina, pedindo o reconhecimento dos diplomas dos médicos formados em Cuba. Ainda em tom jocoso, criticou o médico responsável pela amputação do seu dedo mínimo da mão esquerda. Sua ira se voltou também para os contrários à cobrança de novo tributo para aumentar os recursos para o setor de saúde. O que o presidente finge não saber é que o médico sozinho, no interior ou em periferias, é incapaz de promover saúde. Ele precisa de apoio para exercer sua profissão, como laboratórios, equipamentos para exames, hospitais, enfim, tudo o que não é prioridade ou é claramente insuficiente em seu governo. Lula também finge não saber que ninguém é contra o médico cubano: exige-se apenas que ele, como qualquer outro, se submeta ao exame de avaliação exigido para formados no exterior. Quanto à CPMF, governar impondo novos impostos ao já fatigado povo brasileiro é tão vulgar quanto dizer que é "fácil ser médico na Avenida Paulista". A Associação Médica Brasileira (AMB), em nome dos mais de 350 mil médicos brasileiros, sente-se ultrajada com as declarações do sr. Lula, visto inverídicas, por considerar que elas não condizem com o cargo que S. Sa. ocupa e por atingir a dignidade e a honradez daqueles que, diariamente, em hospitais ou consultórios, muitas vezes em condições precárias, lutam por manter a saúde do povo brasileiro. O presidente Lula deve um pedido de desculpas à classe médica brasileira.


José Luiz Gomes do Amaral, presidente da AMB


quinta-feira, março 18, 2010

VII Fórum Internacional de SEPSE

VII FÓRUM INTERNACIONAL DE SEPSE

28 a 29 de Maio de 2010
Búzios - Rio de Janeiro
Hotel Pérola

Faça já a sua inscrição online: http://www.forumsepse.com.br

II Congresso Luso-Brasileiro de Medicina Intensiva - Inscrição Gratuita pra Associado AMIB





















Faltam pouco dias para o início do evento - Faça já a sua inscrição.

II CONGRESSO LUSO-BRASILEIRO DE MEDICINA INTENSIVA

29 a 31 de Março de 2010
Porto de Galinhas - Pernambuco
Summerville Beach Resort

Inscrição Online: http://www.amib.org.br/luso-brasileiro/

sexta-feira, março 12, 2010

Residência Médica em Urgência e Emergência não é reconhecido.

Por: Taciana Giesel - FENAM

A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), alerta aos médicos e alunos de medicina que programas de treinamento em urgência e emergência não são reconhecidos como especialidade médica. O assunto foi amplamente debatido durante a reunião realizada na manhã da última quarta-feira (10/03) pelos membros da Comissão após constatarem que existem algumas instituições, organizações e até mesmo Secretarias de Saúde oferecendo tal treinamento como especialidade.

“É sabido que a urgência e emergência não é reconhecida como especialidade. E não sendo reconhecida como especialidade médica, evidentemente que não pode ter um programa de residência médica próprio”, advertiu o representante da FENAM na reunião, Cid Carvalhaes.

O dirigente admite que existe uma demanda extremamente importante quanto ao assunto, mas que o mesmo deve ser amplamente discutido e regulamentado pela Comissão Nacional de Residência Médica com a assessoria técnica da Comissão Mista de Especialidades antes de ser oferecido aos médicos recém-formados. São estas duas Comissões que, em última instância, vão qualificar e quantificar este tipo de formação.

sexta-feira, março 05, 2010

Ruídos na UTI

Problema é responsável por vários distúrbios.

Vários estudos têm apresentado a relação entre poluição sonora e distúrbios de saúde. Nas Unidades de Terapia Intensiva esse quadro não é diferente, pois, embora o ambiente tecnológico das UTIs traga benefícios à manutenção do paciente crítico, os ruídos causados pelo maquinário e mesmo pela equipe podem ser responsáveis por causar nesses pacientes distúrbios comportamentais relacionados ao estresse, além de comprometer a qualidade do sono e outros danos.

Portanto, o controle do ruído em uma UTI tem sido um dos grandes desafios das equipes. Leia o artigo da Dra. Renata Andréa Pietro P. Viana, presidente do Departamento de Enfermagem AMIB e chefe do Serviço de Terapia Intensiva HSPE.


Clique aqui e veja a materia completa.


AMIB em: 5/2/2010

segunda-feira, março 01, 2010

Remuneração do Médico Intensivista

Reportagem do Boletim da AMIB desta semana.

"Formas de Remuneração do Médico Intensivista

O exercício da Medicina Intensiva e as formas legais de remuneração, e outras, tão ilegais quanto criativas. As primeiras Unidades de Terapia Intensiva (UTI) foram implantadas no Brasil há menos de 40 anos. Ao longo do tempo, a semente plantada pelos pioneiros evoluiu, tendo apresentado altos e baixos, notadamente por envolver procedimentos médicos complexos e ligados à atenção terciária em saúde, por isto mesmo necessitando de maior aporte de recursos para seu efetivo funcionamento. Não se concebe hoje assistência hospitalar de qualidade sem retaguarda intensiva. Nos últimos anos, tem ocorrido a abertura de várias UTIs em todo o país, no setor privado e no setor ligado ao SUS, provando a rentabilidade do empreendimento. Contudo, é flagrante o funcionamento irregular de UTIs, num verdadeiro atentado à saúde do cidadão. Farei abaixo uma breve discussão sobre as formas mais comuns de exercício e de exploração da atividade intensiva, com adaptações nem sempre satisfatórias para o médico e para o paciente.

No serviço público, onde a entrada por concurso deveria ser a regra (mas não é!), encontramos diversas deformidades, tais como má remuneração, privilégios de alguns, baixa produtividade, absenteísmo etc. Na década de 90, os funcionários públicos foram transformados em bodes expiatórios, passando por vexames inomináveis (demissões injustificadas, congelamento salarial, piora das condições de trabalho etc) e os concursos públicos deixaram de acontecer. A adoção da terceirização (em alguns casos, de maneira totalmente irresponsável) não tem sido solução para a reposição de mão de obra qualificada. Em consequência, escasseiam no país as instituições públicas de saúde que mostram estrutura enxuta e funcionalidade com eficiência.

No serviço privado (instituições particulares e outras ligadas ao SUS, filantrópicas ou não), de vinculação celetista, é frequente a má remuneração, aliada à alta rotatividade e falta de estímulos para o aperfeiçoamento. Muitas vezes, a tônica é a exploração por médicos donos de hospitais, os quais, no papel de empresários, esquecem os postulados de Hipócrates completamente, fazendo com que parcela importante dos intensivistas viva à margem da legalidade, ao aceitar receber parte dos honorários “por fora”, numa situação aberrante que retira do médico os direitos trabalhistas sobre este salário à parte, além de deixá-lo exposto a processos trabalhistas e tributários (juntamente com o patrão, claro).

O pagamento por serviços prestados, que ocorre até no serviço público, é a forma que traz mais prejuízos para o médico. Além da ausência total dos direitos trabalhistas, há sempre incertezas quanto ao recebimento da remuneração, que costuma ser baixa e ainda sofre descontos abusivos (imposto de renda na fonte e contribuição previdenciária!). Alguns “patrões” do setor privado costumam pagar os honorários médicos para pessoas indicadas pelos plantonistas, evitando assim o fornecimento de recibos no nome do médico trabalhador, os quais podem vir a ser usados como provas em processos trabalhistas. Consequentemente, numa situação que chega a ser hilária, tem médico recebendo pagamentos de honorários no nome do pai, da mãe, da namorada e até da empregada doméstica. O trabalho médico através de cooperativas tem experimentado crescimento significativo nos últimos anos. É preciso ressaltar que há cooperativas éticas e cooperativas de fachada (que servem apenas ao interesse dos patrões, muitas vezes misturando médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, burocratas etc., numa verdadeira Babel trabalhista e nivelando a todos por baixo). Através do verdadeiro trabalho cooperativo, o médico tem respaldo legal para sua atividade autônoma e consegue remuneração variável (de acordo com o que produz), porém nem sempre satisfatória. O grau de rotatividade tende a ser elevado, demonstrando a não formação de vínculos entre o cooperado e o hospital, o que favorece o absenteísmo. Ultimamente, as cooperativas têm sido alvo da fúria arrecadadora dos governos, achatando bastante o ganho dos cooperados médicos.

Finalmente, temos o serviço a cargo de empresas, que terceirizam a atividade médica nas UTIs. Por conta do despreparo dos médicos no campo da gestão de negócios, poucas são as empresas de sucesso no meio intensivo. Numa situação muito parecida com a das cooperativas, a remuneração depende da produção de serviços (nem sempre satisfatória) e os direitos trabalhistas não existem, pois os médicos não são empregados, são “patrões e sócios”. O grande impacto ocorre na mudança da condição ética dos componentes, a chamada “inversão do ônus da prova”, ou seja, como componente de pessoa jurídica, o médico é obrigado a provar que não cometeu erros, caso denunciado (ocorre o contrário no caso de atuação médica individual). Para agravar a situação, os planos de saúde, com o objetivo de diminuir gastos, e não ter que se submeter a tabelas de honorários respaldadas por nossos órgãos de classe, têm tentado obrigar os médicos a abrir empresas. No entanto, tal prática não deve ser aceita, não possui amparo legal e está sendo intensamente combatida pelos Conselhos de Medicina.

Em um país onde a criatividade assume ares de “jeitinho brasileiro” associado à “Lei de Gerson”, devem existir, com certeza, outras formas de exercício da Medicina Intensiva, bem como outras criativas (e hilárias até) formas de pagamento de honorários de médicos intensivistas. Este texto, com certeza, não esgota o assunto, sendo apenas uma tentativa de contribuição para o debate, em nosso meio, de tão grave problema!

Dr. Joel Isidoro Costa
1º Tesoureiro da Sociedade Cearense de Terapia Intensiva (SOCETI) e Membro
da Câmara Técnica de Medicina Intensiva do Conselho Regional de Medicina do
Estado do Ceará."