UTI - Cuidado humanizado do paciente crítico.
terça-feira, junho 09, 2009
A importância do Stent sem polímero ao longo prazo
Os stents farmacológicos são uma tecnologia em processo permanente. A maior eficácia antirreestenótica associada aos stents farmacológicos dá mais espaço de manobra em comparação com os stents convencionais em termos dos ajustes para melhorar os resultados tanto para o paciente quanto para o operador.
Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva
http://www.rbci.org.br/detalhe_artigo.asp?id=345
Autores: Robert A. Byrne11, Adnan Kastrati1
Vol. 17 nº 1 - Jan/Fev/Mar de 2009
sexta-feira, junho 05, 2009
Segurança em UTI - mais um dilema
Confira a entrevista sobre segurança em UTI, extremamente relevante para a comunidade intensivista, com a Dra. Elena Ribas, especialista no tema, intensivista titulada pela AMIB, formada pela Santa Casa de Porto Alegre e pós-graduada em Gestão em Saúde pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, a médica, que já teve vivência associativa na diretoria da Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS) há quatro anos, é gerente do Serviço de Epidemiologia e Gestão de Risco do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre e intensivista do Hospital Nossa Senhora da Conceição e da UTI central da Santa Casa de Porto Alegre.
Boletim Express - É seguro ficar internado? E em uma UTI especificamente?
Dra. Elena Ribas - Os hospitais e principalmente as Unidades de Terapia Intensiva são lugares de grande complexidade, onde vários profissionais e outros atores da assistência trabalham em busca de um objetivo único que é o melhor para o paciente. No entanto, mesmo o trabalho sendo interdependente, a hierarquia, as dificuldades de comunicação e a própria complexidade do trabalho têm o potencial de colocar o paciente em risco.
O assunto era tratado principalmente como segurança dos trabalhadores e dos ambientes de trabalho através da SESMT e CIPA, mas vem ganhando importância desde 1999 quando um relatório do Institute of Medicine publicou "To Err is Human", que diz que muitos óbitos ocorriam nos Estados Unidos (EUA) devido a problemas na assistência à saúde. Isso provocou reações em várias partes do mundo, por órgãos governamentais e não governamentais, no sentido de melhorar os processos e os controles dentro dos hospitais.
A segurança é um dos pilares da qualidade. A segurança assistencial é definida como a prevenção dos danos causados aos pacientes, que podem ocorrer por meio de erro por ação ou omissão.
BE - Qual a responsabilidade da equipe de saúde em tornar a situação conhecida pelo paciente e seus acompanhantes ao ser internado em um hospital?
ER - Todo procedimento tem um risco que é resultante das características dos pacientes e dos procedimentos a que são submetidos. Esses riscos são descritos na literatura médica e devem ser informados para o paciente antes de qualquer procedimento, pois, na maior parte das vezes, não são preveníveis. Os termos de consentimento ajudam o médico a esclarecer dúvidas e a orientar seus pacientes quanto a esses riscos.
A segurança a que nos referimos é a necessidade de minimizar outros riscos, evitando eventos adversos preveníveis, relacionados à estrutura física, ao processo assistencial ou à qualidade da assistência, que deve ser avaliada continuamente e corrigida. Não tem sentido ser informada, mas sim modificada.
BE - O risco de permanecer internado é uma situação semelhante a de se hospedar em um hotel, por exemplo, e correr riscos de infra-estrutura ou mesmo à semelhança do estádio de futebol na Bahia (Fonte Nova) em que a defesa civil já tinha conhecimento prévio e mesmo assim o local permaneceu aberto e levou a várias mortes?
ER - Não, é bem diferente. Apesar das equipes de Gestão de Risco se preocuparem com estes aspectos também, isto é, existe o compromisso das instituições de saúde com a integridade física de suas instalações e de seus pacientes, existem regulamentações e as Vigilâncias Sanitárias são muito atuantes. O conceito de segurança assistencial é muito mais complexo e exige uma avaliação mais profunda de aspectos específicos da assistência.
BE - Quando o médico tem a percepção de que sua unidade está "muito" insegura, que medidas ele deve tomar para minimizá-la?
ER - Na verdade, nós médicos junto com toda a equipe assistencial devemos ter a segurança como foco. Devemos tomar atitudes quando identificamos algo POTENCIALMENTE inseguro e não somente quando algum evento adverso ocorre. Nos hospitais em que há Gerência de Risco podemos, junto com a equipe, encontrar formas de correção. Se não há um setor de melhoria da qualidade e segurança, podemos encontrar soluções trazendo este assunto para discussão e redesenhando processos. Agir de forma segura sempre é o mais importante.
BE - É possível a estratégia de erro zero quando se cuida de pessoas?
ER - Sim, importante é diferenciar erro zero de risco zero: nós podemos ter erro zero como objetivo, o risco somente pode ser minimizado. Sempre haverá risco no cuidado de doentes.
Colaborou Dr. Helio Queiroz, vice-presidente da AMIB
sábado, maio 30, 2009
Aberta inscrição para prova de título
A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), por meio da Comissão de Título de Especialista, informa que estão abertas as inscrições para o Concurso de Título de Especialista em Medicina Intensiva Área Adulto em convênio com a Associação Médica Brasileira (AMB).
O candidato poderá se inscrever, até dia 31 de julho de 2009, por meio do site da AMIB (www.amib.org.br), na seção Título de Especialista, na qual deverá preencher o formulário, que deve ser impresso e enviado para a sede da AMIB, por correio, anexado às cópias dos documentos solicitados. Para se inscrever o candidato deve conhecer e estar plenamente de acordo com o Regulamento do Concurso de Título de Especialista em Medicina Intensiva/2009, que está também disponível no site da associação.
Até o dia 10 de setembro de 2009, a Comissão de Título de Especialista vai divulgar no portal da AMIB a lista dos candidatos aptos a prestar a prova, aqueles que atendem aos pré-requisitos determinados no edital. O resultado do concurso, que será realizado durante o XIV Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, em São Paulo (SP), será publicado no site da AMIB no dia 23 de novembro.
EDITAL DA PROVA DE TÍTULO
Fonte: Site da AMIB
segunda-feira, maio 25, 2009
REVISÃO: Receptores Tool-Like e PAMPs
PAMPs (Pathogen-associated molecular patterns) são moléculas existentes em bactérias e virus que estimulam a resposta inflamatória após serem identificadas como non-self pelos receptores toll-loke. O grupo de PAMPs inclui o lipopolissacarídeo das bactérias Gram negativas e a flagelina e ácido lipoteicóico das bactéria Gram positivas.
Flávio E. Nácul
domingo, maio 24, 2009
Fatores de risco para DELIRIUM - o que podemos mudar?
Van Rompaey B, Elseviers MM, Schuurmans MJ, Shortridge-Baggett LM, Truijen S, Bossaert L. Critical Care. 2009; 13: R17.
Delirium tem sido uma entidade cada vez mais estudada nos últimos anos, já tendo sido descrita a sua contribuição para a permanência em ventilação mecânica e mortalidade nos pacientes críticos. Esse estudo pretende delinear os fatores de risco para o desenvolvimento de delirium no CTI. Os autores acharam que a incidência de delirium foi de 30%. Idade, interessantemente, não foi um fator de risco. Entre os fatores não modificáveis que predispunham ao desenvolvimento de delirium, estavam: Tabagismo, etilismo, viver só em casa, gravidade da doença, déficit cognitivo prévio e coma. Entre os fatores possivelmente ou potencialmente modificáveis, foi encontrado: Uso de ventilação mecânica, uso de drenos, cateteres e tubos, uso de medicação psicoativa e sedação prévia. Fatores relacionados ao ambiente também foram bastante importantes, como: isolamento, ausência de visita, ausência de visibilidade da luz do dia, transferência de outra enfermaria e uso de contenção física.
Cássia Righy
MÉDICOS X VIOLÊNCIA
Manchete do jornal O Liberal, de Belém (PA), na semana passada, confirma que os médicos em seu trabalho também acusam sentir na pele o aumento da violência que amedronta o cidadão brasileiro.
Em constatação da própria Secretaria Municipal de Saúde (SESMA) de Belém, as demissões tem desfalcado o atendimento principalmente na periferia, em vista destas ocorrências, deixando mais uma vez como vítima maior a população excluída e desprotegida pelo poder. Como se já não bastasse o descaso com as condições de saneamento, agora ficam também sem acesso ao atendimento médico.
Nos anos de 2007 e 2008, os casos de médicos agredidos e até assassinados em pleno trabalho ou no deslocamento antes ou após aumentaram consideravelmente, culminando com movimento nacional deflagrado pela associação de médicos peritos, inclusive com paralisações que pleiteavam mais segurança no que foram apoiados pelas entidades médicas nacionais. Os médicos que em seu labor contaram sempre com maior consideração e respeito até pela imagem cultuada da profissão, hoje vêem-se acuados não só nos postos da periferia como refere a matéria jornalística, mas também em seus consultórios e clínicas nas áreas consideradas mais nobres das grandes cidades. Aí estão os estabelecimentos de saúde com grades, corpo de guardas, câmeras e alarmes. Sobressaltados ficam os médicos, funcionários, pacientes e acompanhantes, tornando o ambiente de trabalho onde se necessita de concentração e tranqüilidade, verdadeiras fortalezas, com portas eletrônicas a cada passo. Relatos são cada vez mais freqüentes de assaltos a mão armada e até alguns com ameaças físicas. Muitos médicos preferem edifícios de conjuntos de salas tentando com isto a diminuição destas ameaças, o que nem sempre é maior garantia. O que fazer? Como continuar no trabalho, seja publico ou privado nestas condições? Como exigir do médico que precisa exercer atividade em áreas de risco que se exponha mais do que já faz, ao trabalhar a maioria das vezes sem condições adequadas, só com seu conhecimento, o estetoscópio e o jaleco branco?
Somos todos hoje, médicos ou não, cidadãos temerosos, com olhares desconfiados, reféns de um mesmo sistema que represou a miséria e a falta de cuidado com muitas gerações e que hoje sofre as conseqüências destes atos. Devemos todos assumir nossas responsabilidades, mesmo que indiretas, sob pena de termos um futuro mais sombrio ainda para nossos filhos. Cobrar dentro de nosso pequeno universo social com reclamações e imprecações não é suficiente. É preciso mais. É preciso que nos unamos todos em exercício de cidadania para discutirmos e decidirmos nossos direitos sociais e políticos. Dissociados do ruído que vem desta distensão humana e que nos põe uns contra os outros, seremos tão descuidados quanto os que não viram lá atrás a possibilidade deste enfrentamento cruel.
É visível a preocupação dos diversos setores da sociedade demonstrada pelos grupos de discussão e estudos sobre as questões aqui abordadas. Tentativas constantes são encontradas na rede de comunicação mundial numa troca de opiniões e enriquecimento político, como se fosse um preparo demorado para uma verdadeira remontagem da carcomida e sempre repetitiva estrutura dos poderes constituídos. Espasmos tímidos de uma necessária renovação de pensamentos e principalmente de nomes (voltam Sarney e Temer) são sufocados com promessas vãs e bolsas qualquer coisa.
É hora de começarmos a ver os acordos espúrios feitos para obtenção de cargos no viciado círculo político, criando uma espécie de ética amoral, válida só para o vizinho e nunca para todos. Participação é a palavra antiga e sempre necessariamente lembrada nestes momentos e que deve ser motivo de reflexão para todos, infelizmente movidos agora pela insegurança e pelo medo.
A categoria profissional médica, sempre considerada uma das mais importantes dentre todas, tem obrigação de liderar através de suas entidades oficiais um movimento em busca da paz social e de um futuro saudável, seja no exercício da atividade responsável e humanizada inerente ou na conscientização em seu convívio do dia a dia.
Ação e participação são o que o momento exige dos médicos e de suas entidades representativas. Procurar um caminho é urgente medida.
* Antônio Pinheiro é conselheiro do Conselho Federal de Medicina pelo estado do Pará. Waldir Cardoso é diretor do Sindicato dos Médicos do Pará.