UTI - Cuidado humanizado do paciente crítico.

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sábado, maio 04, 2013

UTIs de RONDÔNIA


Nem com a RDC-07 da ANVISA e a Resolução 2007/13 do CFM (leia-se em postagens anteriores) as UTIs do estado de Rondônia se animam a cumprir as leis. Prosseguem em total dessintonia com as resoluções e continuam a oferecer serviços nas UTIs abaixo dos requerimentos mínimos exigidos por estas resoluções, atendendo à população de Rondônia, sem buscar as melhorias devidas.

Perde, mais uma vez, o povo de Rondônia. Lamentável!

Flavia Fernandes

sexta-feira, junho 05, 2009

Segurança em UTI - mais um dilema

Confira a entrevista sobre segurança em UTI, extremamente relevante para a comunidade intensivista, com a Dra. Elena Ribas, especialista no tema, intensivista titulada pela AMIB, formada pela Santa Casa de Porto Alegre e pós-graduada em Gestão em Saúde pela Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, a médica, que já teve vivência associativa na diretoria da Sociedade de Terapia Intensiva do Rio Grande do Sul (SOTIRGS) há quatro anos, é gerente do Serviço de Epidemiologia e Gestão de Risco do Hospital Mãe de Deus de Porto Alegre e intensivista do Hospital Nossa Senhora da Conceição e da UTI central da Santa Casa de Porto Alegre.

Boletim Express - É seguro ficar internado? E em uma UTI especificamente?

Dra. Elena Ribas - Os hospitais e principalmente as Unidades de Terapia Intensiva são lugares de grande complexidade, onde vários profissionais e outros atores da assistência trabalham em busca de um objetivo único que é o melhor para o paciente. No entanto, mesmo o trabalho sendo interdependente, a hierarquia, as dificuldades de comunicação e a própria complexidade do trabalho têm o potencial de colocar o paciente em risco.

O assunto era tratado principalmente como segurança dos trabalhadores e dos ambientes de trabalho através da SESMT e CIPA, mas vem ganhando importância desde 1999 quando um relatório do Institute of Medicine publicou "To Err is Human", que diz que muitos óbitos ocorriam nos Estados Unidos (EUA) devido a problemas na assistência à saúde. Isso provocou reações em várias partes do mundo, por órgãos governamentais e não governamentais, no sentido de melhorar os processos e os controles dentro dos hospitais.

A segurança é um dos pilares da qualidade. A segurança assistencial é definida como a prevenção dos danos causados aos pacientes, que podem ocorrer por meio de erro por ação ou omissão.

BE - Qual a responsabilidade da equipe de saúde em tornar a situação conhecida pelo paciente e seus acompanhantes ao ser internado em um hospital?

ER - Todo procedimento tem um risco que é resultante das características dos pacientes e dos procedimentos a que são submetidos. Esses riscos são descritos na literatura médica e devem ser informados para o paciente antes de qualquer procedimento, pois, na maior parte das vezes, não são preveníveis. Os termos de consentimento ajudam o médico a esclarecer dúvidas e a orientar seus pacientes quanto a esses riscos.

A segurança a que nos referimos é a necessidade de minimizar outros riscos, evitando eventos adversos preveníveis, relacionados à estrutura física, ao processo assistencial ou à qualidade da assistência, que deve ser avaliada continuamente e corrigida. Não tem sentido ser informada, mas sim modificada.

BE - O risco de permanecer internado é uma situação semelhante a de se hospedar em um hotel, por exemplo, e correr riscos de infra-estrutura ou mesmo à semelhança do estádio de futebol na Bahia (Fonte Nova) em que a defesa civil já tinha conhecimento prévio e mesmo assim o local permaneceu aberto e levou a várias mortes?

ER - Não, é bem diferente. Apesar das equipes de Gestão de Risco se preocuparem com estes aspectos também, isto é, existe o compromisso das instituições de saúde com a integridade física de suas instalações e de seus pacientes, existem regulamentações e as Vigilâncias Sanitárias são muito atuantes. O conceito de segurança assistencial é muito mais complexo e exige uma avaliação mais profunda de aspectos específicos da assistência.

BE - Quando o médico tem a percepção de que sua unidade está "muito" insegura, que medidas ele deve tomar para minimizá-la?

ER - Na verdade, nós médicos junto com toda a equipe assistencial devemos ter a segurança como foco. Devemos tomar atitudes quando identificamos algo POTENCIALMENTE inseguro e não somente quando algum evento adverso ocorre. Nos hospitais em que há Gerência de Risco podemos, junto com a equipe, encontrar formas de correção. Se não há um setor de melhoria da qualidade e segurança, podemos encontrar soluções trazendo este assunto para discussão e redesenhando processos. Agir de forma segura sempre é o mais importante.

BE - É possível a estratégia de erro zero quando se cuida de pessoas?

ER - Sim, importante é diferenciar erro zero de risco zero: nós podemos ter erro zero como objetivo, o risco somente pode ser minimizado. Sempre haverá risco no cuidado de doentes.

Colaborou Dr. Helio Queiroz, vice-presidente da AMIB