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terça-feira, julho 10, 2012

Infusão contínua de solução salina hipertônica permite o controle da hipertensão intracraniana em pacientes com traumatismo crânio-encefálico

Critical Care, Volume 15, 2011, Page 260 - (Texto Completo)

Um estudo publicado na Critical Care descreveu o uso de infusão contínua de solução salina hipertônica (SSH), utilizando uma dose calculada pela natremia em pacientes com traumatismo crânio-encefálico (TCE) com hipertensão intracraniana (HIC) refratária.

50 pacientes consecutivos com TCE e HIC refratária foram tratados com infusão contínua de SSH. O fluxo de NaCl 20% foi a priori calculado de acordo com natriurese, natremia atual e alvo, que foram avaliadas a cada quatro horas. A infusão SSH foi mantida por um período de 7 (5-10) dias. A pressão intracraniana (PIC) diminuiu de 29 (26-34) mmHg na H0 para 20 (15-26) mmHg na H1 (P <0,05). Pressão de perfusão cerebral aumentou de 61 (50-70) mmHg na H0 para 67 (60-79) mmHg na H1 (P <0,05). Não foi relatado HIC de rebote após a interrupção de infusão contínua de SSH. A natremia aumentou de 140 (138-143) na H0 para 144 (141-148) mmol.L-1 na H4 (P <0,05). A osmolaridade do plasma aumentou de 275 (268-281) mmol.L-1 na H0 para 290 (284-307) mmol.L-1 na H24 (P <0,05). O principal efeito colateral observado foi um aumento na cloremia de 111 (107-119) mmol.L-1 na H0 para 121 (117-124) mmol.L- 1 na H24 (P <0,05). Nem lesão renal aguda, nem mielinolise pontina foram registradas.

Chegou-se à conclusão que a infusão contínua de SSH permite o controle da natremia em pacientes com TCE, juntamente com uma diminuição da HIC, sem rebote com a interrupção da infusão.

 

Fonte: Equipe Editorial Bibliomed

Sulfato de Magnésio para traumatismo craniano: proteção ou dano?

Lancet Neurology 2007; 6: 29 – 38

Os traumatismos crânio encefálicos (TCE) são responsáveis por graves danos ao sistema nervoso central, implicando em seqüelas muitas vezes irreversíveis. Dessa forma, vários estudos têm sido promovidos para a elaboração de um tratamento eficaz para esse tipo de trauma. Uma dessas pesquisas foi realizada por pesquisadores de Seatle, Nova Iorque e Filadélfia nos Estados Unidos. Seus resultados foram publicados na revista Lancet Neurology.

Os estudiosos procuraram avaliar se o uso de sulfato de magnésio nas primeiras horas pós-traumatismo craniano e seu uso contínuo nos cinco dias subseqüentes a ele, influenciaria favoravelmente no tratamento das lesões ocasionadas ao sistema nervoso central em pacientes que sofreram esse tipo de trauma.

Para a realização dessa pesquisa, foi feito um estudo duplo–cego com 499 pacientes, admitidos em um centro de referência para o tratamento de trauma, com idade maior ou igual a 14 anos e que sofreram TCE moderado a severo, no período de agosto de 1998 a outubro de 2004. Os pacientes receberam duas doses de sulfato de magnésio ou placebo, 8 horas após a lesão e durante cinco dias consecutivos.
Avaliou-se a mortalidade e seqüelas relacionadas ao traumatismo craniano e ao tratamento empregado. Além disso, foram posteriormente realizados testes para a identificação da extensão das lesões e averiguação da função neuropsicológica dos indivíduos, no seis meses consecutivos ao trauma.

Como resultado, verificou-se que aqueles pacientes que receberam baixas doses de sulfato de magnésio apresentaram pior evolução, comparativamente aos que receberam placebo, ocorrendo maior prejuízo quanto maior a dose administrada. Além disso, observou-se uma ocorrência maior de edema de pulmão e insuficiência respiratória, naqueles pacientes que receberam sulfato de magnésio.

Portanto, o sulfato de magnésio não acrescenta qualquer benefício como protetor neurológico para os pacientes que sofrem traumatismo craniano, não devendo, portanto, ser utilizado.

 

Fonte: Equipe Editorial Bibliomed